Vivi Amorosino, uma héstia que não tem medo de recomeços

Viviane Amorosino Sales é mais conhecida como Vivi, tem 50 anos e é a segunda filha de quatro irmãos: dois homens e a irmã caçula. “Somos muito unidos, nossos pais são incríveis, sempre estiveram muito próximos da gente”, conta. Ela é casada há quase 25 anos, tem um enteado, que considera como um filho, um filho de 16 anos e duas netas gêmeas de quatro anos. Desde pequena, Vivi sempre foi comunicativa. Sua mãe diz que ela carrega uma disposição para falar com as pessoas e sorrir. Essa característica a ajudou a se tornar publicitária e dar início à sua carreira em agências de propaganda. Depois disso, ela foi para a área de comunicação da Natura, dirigida  às consultoras. “ Eu fui falar da minha parte no vídeo e, em seguida, virei a apresentadora do Programa. Foi uma alegria e um susto”, relembra.

Quando criança, ela diz que fugia de qualquer apresentação na escola, não gostava de se apresentar. E, de repente, lá estava de cara com o público. “Era muito bom fazer os vídeos… Fui aprendendo e, aos poucos, criando um vínculo muito forte e intenso com as pessoas de vendas, com quem eu falava. Eu fazia essa função junto com o meu trabalho. Até que acabei chegando no palco. Esse sim era O DESAFIO!” Se as câmeras já não a assustavam mais, o palco ainda era motivo de nervosismo. Ainda assim, ela encarou a nova posição e, quando notou, era a apresentadora da empresa e mestre de cerimônia de eventos.

“Como disse um dos presidentes, eu era voz da Natura. Achei lindo isso. Não sou atriz, nunca estudei para isso, mas fui aprendendo com os profissionais envolvidos nos projetos e criando uma história com as mulheres da Natura. Isso foi algo que me marcou para toda a vida. Acho que eu sempre fiz e falei com elas com tanto amor e vontade de acertar, e por tantos anos, que sem me dar conta construí uma relação linda com mulheres muito potentes de todo o Brasil.” Conheça mais da história de Vivi Amorosino, que deixou a carreira em comunicação para se dedicar às artes manuais.

“Depois de algumas mudanças na Natura, fui promovida, o que me deixou feliz e apavorada com a nova atribuição. A experiência foi tão forte, complicada e quase traumática, que, junto com outras coisas que eu estava vivendo na minha vida pessoal, se transformou em uma síndrome do pânico. Além de tudo que eu tinha que descobrir como fazer nessa nova função de gerente de comunicação, eu seguia como apresentadora. Passado um tempo, na verdade bem antes, eu já sabia que não queria aquilo para mim, que o que me dava mais prazer mesmo era ser apresentadora. Mas como eu poderia cogitar não estar feliz, trabalhando numa função bacana, em uma empresa tão bacana?

Surtei. Fui muito acolhida por meus superiores. Mudei de área e deixei de ser apresentadora por um tempo. Era um programa social, o Crer pra Ver, um outro universo, bem legal. Tenho boas lembranças e grandes aprendizados. Mas eu seguia surtada e tendo a convicção de que não queria ser executiva, que não tinha vocação, nem talento para isso. Passou um tempo e eu engravidei. Ah… esse era meu grande sonho, ser mãe! Desde pequena pensava nisso, sempre prestei atenção, me preocupei e cuidei de pessoas. Era chegada a hora de cuidar do meu filho. E é incrível como um filho muda nosso olhar para a vida! Ali eu pude assumir para mim mesma, e depois para todos, que não queria mais ser executiva. E as coisas foram se encaminhando para esse rumo.

Quando voltei de licença-maternidade, fiquei meio sem função. Naquela época, a Natura decidiu fazer seu programa na TV Bandeirantes. Entrei nesse projeto. Resumindo: saí da Natura, abri uma empresa e passei a ser parceira dela, a apresentadora do Programa e MC de eventos. O programa da TV durou um ano, depois segui com as gravações e cada vez mais eventos, fazendo algo que eu adorava, com um contrato que me garantia uma segurança e podendo acompanhar o crescimento do meu filho. Essa era a melhor parte! E foi assim por anos, até que me separei do meu segundo marido. Um baque.

Foram por volta de cinco anos (nunca sei bem as datas), cada um tocando a sua vida, mas sempre juntos cuidando do Gabriel. Mas a vida dá voltas e nos deparamos com um novo e inesperado encontro. Decidimos tentar de novo. Como eu ia voltar com ele? Será que ia dar certo? E se não desse de novo, como ficaria a cabeça do nosso filho? Decidi tentar, era o pai do meu filho, éramos uma família, isso me fazia muita falta. Estamos juntos há cinco anos, já construímos uma casa, uma nova vida em casal e família e seguimos com planos e projetos de vida. Juntando todo o tempo da nossa história, neste ano celebramos bodas de prata.

Não é fácil separar, com filho pequeno menos ainda, voltar, se adaptar… Nada foi nem é fácil, mas a gente segue tentando, se divertindo e se amando. Outro presente dessa volta foi o resgate da relação com o meu enteado. Hoje, tenho minha família junto, marido, filhos, nora querida e duas netas gêmeas. Imagina minha alegria? A gente sempre diz que em tudo tem aprendizado. Hoje, vejo que essa separação foi fundamental para a gente amadurecer, dar valor e eu poder me colocar, me relacionar, me olhar e retomar essa história com outro olhar e atitude.

Já estávamos morando juntos de novo quando o meu contrato com a Natura não foi renovado e acabei montando um blog com uma grande amiga dos tempos da Natura para falarmos com mulheres maduras, bem o nosso momento. Seria a forma que eu encontrei de continuar falando com minhas queridas mulheres da Natura. Nascia assim o ‘Casa e Prosa’, com a consultoria jornalística e de vida de outra grande amiga. Trabalhamos nesse projeto por três anos. Foram muitas tentativas e parcerias, mas não conseguimos uma remuneração suficiente para seguir com o canal. Então foram surgindo outros projetos. Eu fui entrando no mundo do fazer manual, do artesanato, que sempre amei, desde adolescente, quando minha Tia Terê me ensinou o crochê.

Comecei a olhar mais, pesquisar, fiz alguns cursos para começar a abrir a cabeça para esse novo olhar, especialmente do crochê, e junto com uma amiga de longa data montei o Lé com Cré – Oficina Manual, um ateliê que junta os trabalhos dela, os meus com crochê em fio de malha e os nossos vestidos. São vestidos com pala de crochê e tecido, cada um com uma intervenção, que os tornam únicos e exclusivos. O que me encantou no mundo manual foram as possibilidades, o novo olhar e técnicas de trabalho, a possibilidade de produzir peças que tenham valor percebido e, principalmente, a chance de conhecer pessoas bacanas, na mesma jornada.

Ah… esqueci de contar outro presente da minha vida. Minhas amigas que aparecem em cada pedacinho da minha história são parte importante na minha vida. Tenho várias, de vários lugares. E a turma de oito amigas da escola, uma amizade de mais de 45 anos! Tenho o maior orgulho dessa e de todas as nossas outras histórias. Com elas a vida fica bem melhor e mais divertida.

E como é bom ter amigas na maturidade. A gente vem descobrindo juntas que além dos perrengues, ela pode ser incrível. Poder se olhar mais, se aceitar, saber que seu corpo não voltará mesmo a ser o que era e conseguir lidar com isso, dar valor para o que realmente importa, ver seus filhos e netos crescerem, ter uma relação mais leve com o marido, valorizar cada momento com os pais, irmãos, amigos e pessoas que se ama, rir de seus problemas… Eu estou me sentindo mais leve e me preocupando menos com os outros.

Como vi outro dia em uma roda de conversa da Rede Héstia, ‘enxergar abundância na minha vida. Abundância é ter o suficiente de tudo aquilo que faz seu corpo funcionar, sua mente evoluir e seu coração cantar’. É isso que quero agora, tudo que faça o meu coração cantar!.”

Siga a Rede Hestia:
error