Vânia Goulart: ela deu novo significado a si mesma e aprendeu a se valorizar

Vania Goulart é uma linda mulher, mas durante muito tempo em sua vida se sentiu um “patinho feio” por conta da altura. Foi apenas quando saiu da pequena cidade de Ipatinga, em Minas Gerais, e foi para Vitória no Espírito Santo, que ela passou a se ver de outra forma. “Virei manequim, aprendendo que a altura tinha um outro significado. Continuava bem alta, mas via que isso também era bonito e não só feio ou estranho como diziam.” Profissionalmente, Vania acabou se dedicando ao setor de RH, no qual tem uma consultoria há 25 anos. “Minha empresa sempre foi de mulheres. Nestes anos todos foram centenas que formei e que hoje estão no mercado de trabalho bem estabelecidas e reconhecidas.”, conta. Conheça um pouco mais de sua história!

Vânia Goulart

“Eu nasci numa cidade chamada Ipatinga, que fica no Vale do Aço e foi construída em torno de uma usina, a Usiminas. Era uma cidade pequena, onde fiquei até meus 13 anos.  Como tenho um metro e oitenta, era quase o ET de Varginha, o que me fazia ter muito complexo e nunca gostar de sair de casa. Quando mudei para Vitória, ressignifiquei esse complexo na minha vida, olhando o mesmo problema de duas formas. Foi lá que virei manequim, aprendendo que a altura tinha um outro significado. Continuava bem alta, mas também via que isso era bonito e não só feio ou estranho. Aprendi que você precisa aprender a valorizar suas características.

Eu me considero uma mulher que passou por muitos desafios, viveu sobre complexo e muita repressão das potencialidades, mas sempre procurei me estruturar e me ancorar no estudo e no trabalho. Hoje, aos 50 anos, redescobri minha essência novamente e com ela minha autoestima.

Profissionalmente falando, minha empresa (a Selecta, no setor de RH) tem 25 anos, exatamente a mesma idade da minha filha. Meu aprendizado começou na concepção, pois eu trabalhava em outra consultoria onde tinha 20% de participação e fazia tudo sozinha, mas não me achava capaz de seguir sozinha, pois a consultoria tinha um nome, sede própria e infraestrutura.

Quando engravidei começaram os problemas, pois minha gravidez foi de risco e minha filha nasceu prematura de 29 semanas. Claramente minha produção caiu, mesmo eu fazendo laudos no CTI do lado dela. Não tirei licença maternidade, mas não foi possível suportar. Era uma pressão para eu deixar de cuidar dela e voltar a produzir. Pedi, então, para sair em fevereiro de 94, e em maio de 94 abri a SElecta depois de vários clientes me ligarem e solicitarem que eu voltasse a atendê-los. Foram anos de muito crescimento e trabalho, ano após ano crescendo. Chegamos a 42 funcionários e 1.200 avaliações em um mês.

Minha empresa sempre foi de mulheres. Nestes anos foram centenas que formei e hoje estão no mercado de trabalho bem estabelecidas e reconhecidas. São maquinistas, mão de obra no porto de Vitória, motoristas de caminhão na mina de minério, operadoras de painel,  vendedoras de cerveja nas motos, empilhadeiras e tantas outras.

Acredito que temos avançado no mercado de trabalho, mas ainda temos muitos desafios e o mais importante é aprendermos a nos ancorarmos umas nas outras, criando grupos de apoio e fortalecimento e respeitando nossa forma de fazer diferente no lugar de querer imitar as atitudes masculinas que nos discriminam.

Tenho um trabalho onde ajudo com palestras e rodas de conversa as mulheres a se apoiarem e equilibrarem os papéis de mãe, mulher e profissional. Acredito que uma rede como a Héstia também funciona como base, uma conexão com este processo de fortalecimento e aprendizado de empoderamento e descoberta para nos fortalecermos como mulher antes de qualquer outro papel.

Aproveito para contar que este ano é o segundo dos meus próximos 50 anos. O desafio é manter minha autoestima e ousar me libertar cada vez mais. Quero valorizar minha caminhada e manter minha essência de conectar pessoas com seu potencial e, assim, ajudá-las a ser cada vez mais reconhecidas

Para as héstias que leem minha história, quero dizer que viver é afinar um instrumento de dentro para fora e de fora para dentro. Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Este é meu lema é minha força para seguir em frente!”.