Rede Héstia – por Malu Crudo

A querida Maria Luiza Crudo Pereira, a Malu, é membro da rede Héstia desde o início de sua criação. Ela é Analista junguiana, facilitadora da EMF Balancing Technique, e especialista em Constelação Familiar, mas já trabalhou em empresas e realizou grandes mudanças internas para chegar onde está hoje.

“O tempo sempre ensina. Antes eu era uma peça de uma grande engrenagem que não podia dar defeito. Hoje eu erro, aprendo sem sofrer (…) Hoje não quero comparar, nem competir, pois entendi que cada ser humano é único e perfeito, pois assim nasceu (…) Hoje eu vivo, percebo mais meu entorno e tenho prontidão para servir os desafios de maneira positiva e reconhecer as conquistas com gratidão”, nos conta.

A Malu realizou para a rede um movimento sistêmico com a temática da Mãe. “Uma vida com plenitude só é possível com o reconhecimento deste primeiro grande amor, que é nossa mãe, por isso escolhemos este tema”, conta. Confira a entrevista!


1. Malu, você poderia contar um pouco sobre as atividades profissionais que realiza hoje?

Atualmente atuo com Constelação Familiar individual e em grupos através de workshops. Além disso, atuo como Analista Junguiana e sou facilitadora da EMF Balancing Technique.

2. Para a rede Héstia, você realizou a constelação familiar certo? Pode contar um pouquinho sobre como funciona e como foi a experiência de fazer para a rede?

Na Rede Héstia tive a oportunidade de efetuar um movimento sistêmico com a temática da Mãe. Esse tema foi escolhido pois é através da mulher/mãe que a vida tem a permissão de fluir. Obviamente que precisamos do homem/pai, porém é através do útero que a nova vida é acolhida e gerada. Uma vida com plenitude só é possível com o reconhecimento deste primeiro grande amor, que é nossa mãe.

Nessa ocasião o valor pago pelas participantes foi direcionado para o grupo das mulheres que costuram vestidinhos para meninas carentes da África. Ou seja, reforçando o conceito sistêmico de que a paz começa no coração das mulheres.

3. Antes de fazer o que faz atualmente você trabalhava em empresas, tinha um outro tipo de vida, certo? O que a levou a mudar e como foi esta transição?
Sim, trabalhei 16 anos em uma empresa do segmento médico-hopitalar (era gerente de Operações da J&J). Comecei como estagiária na área de secretariado e tornei-me gerente de operações de vendas. Os motivos que me levaram a fazer esta transição foram uma angústia profunda e um desequilíbrio existencial. Na época não fazia terapia, tinha um enorme preconceito em procurar ajuda, estava fechada com minhas questões e não confiava em ninguém para poder falar, me abrir. Fui a um psiquiatra, que fez um diagnostico de depressão e falou que eu estava com síndrome de burn out, receitando-me medicação.

Como a medicação me dava muito sono, perdia reuniões e minha alegria sumiu… O que eu sempre amei fazer começou a não fazer mais sentido. Não reconhecia minhas realizações e tudo que eu fazia não era bom o suficiente para mim. Como eu achava que o motivo de minha tristeza profunda era o trabalho, conversei com a diretora-presidente da empresa e pedi para sair. Logo que saí, outra empresa me fez uma proposta de trabalho irrecusável e eu aceitei… 06 meses depois saí, pois percebi que era mais do mesmo e ainda tive que lidar com um conflito interno muito grande sobre ética e sigilo empresarial.

Isso ocorreu em 2012 e meu ego estava completamente desestruturado dentro de uma avalanche emocional muito intensa. Comecei então a querer entender o que é a vida, busquei várias terapias alternativas, fiz diversos cursos para eu poder me conhecer e, à medida que o tempo foi passando, fui vendo que eu poderia assumir as rédeas de minhas escolhas sem tanto controle e com muita aceitação. Devido às formações e meu empenho, o trabalho terapêutico surgiu como uma possibilidade real e desde 2016 atuo exclusivamente com atendimentos, onde vejo a integralidade humana, pois aprendi que a vida não é “departamentalizada”.

4. Poderia dar alguma sugestão para mulheres que estejam passando por essa mesma situação de mudança hoje em dia? O que avaliar e como lidar?
Se eu pudesse voltar no tempo, eu faria algumas coisas diferentes, e a primeira delas seria não ter preconceito, nem medo de pedir ajuda. Sendo assim, quando encontro mulheres com dilemas existenciais que desejam ser supermães, esposas, mulheres e profissionais ouço-as com muito cuidado e respeito, pois elas realmente foram “educadas” para serem “super”, por isso vejo o movimento por trás delas. Há algo ou alguém mais importante que suas próprias almas que elas desejam atender e, muito frequentemente, vemos que o que desejamos atender é Maia, ilusão. Sendo assim, da mesma forma que as mulheres cuidam de sua aparência externa, elas podem sair do espelho, fechar os olhos e enxergar melhor seu interior, pois é assim que a alma se ilumina e a real beleza tem permissão para aparecer.

5. O que o tempo te ensinou? Quem era a “Malu” antes e quem é a “Malu” agora?
O tempo sempre ensina. Antes eu era uma peça de uma grande engrenagem que não podia dar defeito. Hoje eu erro, aprendo sem sofrer. Hoje eu choro mais e não me importo em mostrar minha fragilidade. Hoje dependo de muitas pessoas, não festejo a gloria da auto-suficiência. Hoje respeito mais as dores das vítimas e agressores, sem julgar. Hoje não quero comparar, nem competir, pois entendi que cada ser humano é único e perfeito, pois assim nasceu. Hoje entendo que amor e indiferença é a mesma coisa, só que em polaridades opostas. Hoje eu vivo, percebo mais meu entorno e tenho prontidão para servir os desafios de maneira positiva e reconhecer as conquistas com gratidão.

6. Como você vê a rede Héstia e como acredita que ela pode contribuir para as mulheres de forma geral?
Como escreveu Jean Shinoda Bolen no livro “As Deusas e a Mulher”, “ Com Hestia como presença interior, a mulher não fica ligada às pessoas, às conseqüências, posses, prestígio ou poder. Sente-se completa como é. Seu ego não está em jogo. Ela tem a liberdade dos desejos corriqueiros, a libertação da ação, do sofrimento, da compulsão interior e exterior, por uma graça de senso, uma luz branca e tranqüila em movimento.”

Ou seja, o mito da deusa Hestia nos fala de uma mulher sábia que escolhe a calma da solidão e de uma visão contemplativa da casa, que é interpretada como o interior de cada uma nós. Deusa capaz de criar uma atmosfera de calor e ordem pacífica. Com essas características do mito, podemos entender que a rede Hestia acolhe todos os arquétipos de Deusas existentes como um abraço reconfortante, contribuindo para que as mulheres sejam e não apenas estejam, sem a sustentação de um personagem. Essa conexão com nosso próprio EU interior ajuda muitas a olharem para si mesmas, sendo aceitas e pertencentes, com geração de auto-confiança e, consequentemente, transformação.

7. Quais os seus planos para o próximo ano como profissional e mulher? Como lidar com desafios, já que cada uma de nós tem os seus?
Para 2018 espero poder consolidar ainda mais meu trabalho como terapeuta, continuar me aprimorando. Essa frase de Marshall B. Rosenberg pode definir um pouco o propósito “ O que quero em minha vida é compaixão, um fluxo entre mim mesmo e os outros com base numa entrega mútua, do fundo do coração”

Os desafios que encaramos não precisam de mais elementos que os aumentem (drama) ou que os diminuam (negação), pois as mesmas podem ser olhadas com as seguintes perguntas: “ O que tal situação quer me ensinar?”. “ Quais pensamentos e atitudes me colocam nessa situação?”.

Ou seja, ao invés de sermos vítimas racionais com uma série de questões usando o “Por quê?”, podemos substituir por “Para que?”. Existe uma frase que diz assim: “O desafio ou problema é um ser que chega, toma conta e carrega consigo, pendurado no seu braço, a solução.” Ou seja, temos sempre os atributos necessários para olhá-lo e superá-lo.

8. Finalmente, poderia deixar um recado às mulheres que vão ler esta entrevista e que estão de certa forma buscando um pouco mais de coragem ou de entendimento para conseguir seguir os caminhos?

Gostaria de deixar uma reflexão através de uma frase do Osho: “ Você nunca riu de todo o coração. Você nunca viveu de todo o coração. Nunca fez nada de todo o coração. Deixamos que todo o controle esteja em nossa cabeça, enquanto deveríamos agir mais com a inteligência do coração, que esta sendo sufocado pela mente.”

É necessário que tenhamos a coragem para nos despir de crenças cristalizadas e limitantes para termos acesso a nossa essência!

Contato: Maria Luiza Crudo Pereira/ (11) 96928-1207

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