Marina Magon: Ela passou por preconceitos profissionais por ser mulher, mas superou as dificuldades e hoje trabalha na área de investimentos

Marina Magon é uma vitoriosa. Tendo que agir de forma independente cedo, ela conseguiu se formar, trabalhar, e trilhar um caminho que gosta. Atuando na área de investimentos, ela conta que é a única mulher no escritório. “É muito comum eu ser uma entre 25 rapazes numa sala de reuniões, mas isso não me intimida, pois sei de minhas competências!”, conta. Mas ela também acredita que há muito preconceito por conta de gênero atualmente, e já sofreu isso na pele quando trabalhou por dois anos na área de TI. “Sinto que no dia a dia as mulheres ainda são discriminadas, e isso acontece nas menores coisas e desde a infância. Como é possível ainda escutarmos que isso é coisa de menina, aquilo é coisa de menino?”, questiona. Para Marina, redes como a héstia ajudam no acolhimento, algo que ela também procura fazer no dia a dia com as mulheres à sua volta. “Sempre procuro olhar como se fosse eu a passar por determinada situação e depois olhar de fora, assim consigo ajudar numa percepção mais realista e, a partir daí, solucionar o problema ou lidar com algum tipo de situação. Sou do tipo que motiva, que faz a pessoa identificar fortalezas, suas fraquezas e ainda assim se valorizar.”, conta. Conheça mais sobre ela!

“Nasci em São Paulo e sou a segunda filha de um casamento que aconteceu precocemente em função da gravidez repentina da minha mãe. Na época, isso ainda era um choque em famílias mais tradicionais e, em função disso, meu pai acabou aceitando uma transferência para a Bahia, onde nós ficamos por 2 anos. Depois a empresa em que ele trabalhava faliu e voltamos para São Paulo, onde crescemos e permanecemos até então.

Meus avós maternos foram como meus segundos pais. Muito amados e queridos, eles fizeram a minha infância feliz, cheia de amor, ternura e aprendizado. Minha infância foi permeada por um casamento cheio de brigas e discussões, tanto que, quando meus pais se separaram quando eu tinha 12 anos foi um alívio e, desde então, eu percebi que teria que me virar. A família da minha mãe sempre nos ajudou financeiramente, mas num dado momento as vacas ficaram magras e foi bem quando entrei na faculdade. Meu pai pagou por um tempo, mas deixou de pagar sem nem avisar e só consegui concluir meus estudos porque meu avô me ajudou a parcelar uma dívida com a FAAP e consegui uma bolsa na Anhembi Morumbi. E eu já trabalhava desde sempre nesta época.

Hoje sou formada em economia, mas não escolhi meu primeiro emprego. Fui dando certo como gerente de banco, conseguia suprir minhas necessidades, e fui ficando. Precisava do dinheiro para pagar minhas contas, mas depois de 12 anos trabalhando em bancos e com minha filha com quase dois anos, eu decidi que não queria mais isso para minha vida, estava até adoecendo. No banco eu era uma mera executora, tinha metas para cumprir, não conseguia dar assessoria completa para o cliente e isso me incomodava. Foi então que decidi fazer uns cursos e me especializar como assessora de investimentos e planejadora financeira.

Cheguei a trabalhar em uma corretora de valores pequena e de origem familiar, mas logo percebi que não teria espaço para crescer e como a economia não estava muito boa, acabei ficando por dois anos com um salário ruim. Não conseguia nada na minha área, e recebi um convite para trabalhar na área de TI e Telecom. Com muito medo, eu aceitei e fiquei por dois anos trabalhando em algo que não conhecia direito, mas fiz minha parte direitinho. Eu havia sido contratada para ser da área comercial e sabiam que eu não tinha experiência. Me contrataram mesmo assim, mas foi o lugar onde eu mais sofri preconceito e machismo, ao ponto de ter quase uma úlcera, tamanha eram as retaliações.

Como não estava feliz, sai dessa empresa, e resolvi me tornar sócia de um escritório de investimentos, que é a Fatorial, onde estou hoje há quase um ano. Em meio às dificuldades de ser autônoma (tudo é muito diferente do que já vivi), estou feliz por estar fazendo o que eu gosto e ajudando as pessoas e as empresas a investirem melhor e a se planejarem, o que a meu ver é o pilar básico para você poder de fato escolher  fazer o que quer, pois ninguém vive de vento.

Não sei se hoje eu sou muito segura e domino o que faço (não era assim quando troquei minha carreira na área de finanças para me aventurar em outra possibilidade), mas sei que atualmente só tem eu de mulher no escritório e é muito comum eu ser uma entre 25 rapazes numa sala de reuniões. Isso, porém, não me intimida, pois sei de minhas competências. Mas comparando pela minha vivência anterior, sei que simplesmente tem ambientes em que as mulheres não são respeitadas. Disso veio minha maior lição: eu precisei sair da minha área para valorizá-la e lembrar o quanto amo minha profissão, e talvez esse seja o grande lance de eu estar feliz hoje, pois estou fazendo o que quero e dentro de um ambiente em que eu moldo a minha forma!

Na vida pessoal, sou exigente comigo, busco estar sempre arrumada, faço academia todos os dias, me cuido espiritualmente também e busco ensinar minha filha através de exemplos bons. Estou casada há 10 anos e meu maior desafio como mulher é fazer meu marido entender minhas necessidades de dividir compromissos da casa e aqueles com relação a nossa filha. Gostaria de não ter que pedir ajuda, mas na prática não é assim, mesmo com os dois trabalhando. A diferença é que ele sempre ganhou mais do que eu, mesmo sendo economista também.

Sinto que no dia a dia as mulheres ainda são discriminadas, e isso acontece nas menores coisas e desde a infância. Como é possível ainda escutarmos que isso é coisa de menina, aquilo é  coisa de menino? Eu fui criada nesses moldes e quero fazer o possível e o impossível para que não seja assim nas próximas gerações, pois isso tudo tem um preço muito grande para a mulher que, no fundo, não é igualmente reconhecida, recebe um salário menor para executar a mesma função, e muitas vezes faz o serviço de casa também, sem ter seus esforços reconhecidos.  

Por conta disso tudo, eu enxergo a rede héstia como um local de acolhimento. Eu falo por mim, que nem sou das veteranas, mas em curto espaço de tempo já tinha um grande laço desenvolvido entre as pessoas. Não há desconforto entre nós nem quando o tema é desconfortável, pois temos apoio umas das outras e não o julgamento, tão comum entre as pessoas e grupos. Acredito que a rede ajude mulheres por tanto por ser um local de acolhimento quanto por trazer uma diversidade nos temas abordados. Isso faz com que pensemos: “Puxa, não estou sozinha nesse pensamento ou nessa busca, o que agrega muito!”.

Com relação a acolhimento, sempre procuro olhar como se fosse eu passando por determinada situação e depois olhar de fora, assim consigo ajudar numa percepção mais realista e, a partir daí, solucionar o problema ou lidar com algum tipo de situação. Sou do tipo que motiva, que faz a pessoa identificar fortalezas, suas fraquezas e ainda assim se valorizar.

No momento estou batalhando conciliar melhor minhas atividades de trabalho remuneradas com projetos que me desenvolvam como ser humano e nos quais eu possa ajudar outras pessoas. Quero estar onde estou, só que colhendo os frutos de todo esse trabalho que venho realizando, e que me proporcionará liberdade financeira em algum momento. Ter liberdade financeira te liberta de muitas coisas e te faz pensar em como e por que você pode contribuir para si e para sociedade. Quero ter abundância e poder compartilhá-la!”.

Siga a Rede Hestia:
error