Maria Luiza Crudo Pereira, uma mulher em busca de aprendizado para viver seus propósitos

Em suas próprias palavras, Maria Luiza Crudo Pereira é facilitadora de constelações familiares, analista junguina e também uma executiva que busca e vê a beleza além do caos. Sua trajetória profissional começou no balcão da padaria do pai, em Angra dos Reis (RJ). Aos 16, por conta do desejo de morar em São Paulo, colocou uma mochila nas costas e se mudou para a cidade grande. “Não sai da minha mente o momento de despedida na rodoviária. Eu chorei muito e vi meus pais se emocionando também, foi uma despedida dolorosa, mas necessária”, relembra.

Malu foi morar na casa da avó e completou os estudos em Alphaville, bairro nobre da região metropolitana paulista. “Ali tive o primeiro choque de realidade. Eu era uma caiçara da baixada sul-fluminense, desligada em relação à tantas futilidades, como namorados, batons e roupas de marca. Eu estava ali para estudar, passar no vestibular, começar a faculdade e trabalhar. Mas senti na pele o que é descriminação social.” Malu prestou vestibular para Direito na USP, mas quando não passou na prova, decidiu estudar por mais seis meses. Nesse tempo, ela descobriu que profissões ligadas ao secretariado enchiam os anúncios de emprego nos jornais. “Prestei vestibular para a FATEC-SP, na área de automação de escritórios e secretariado. Passei em sexto lugar.”

Os principais desafios de sua carreira surgiram da necessidade de se posicionar, de encontrar e impor seus  limites. “Tive que desenvolver uma armadura para não ser tão espontânea e ingênua. Fui aprendendo sobre o meu ritmo, o ritmo dos negócios, desacelerando e amadurecendo”, explica. Com a chegada da  maternidade, porém, ela começou a questionar sua função neste mundo. “Assumi tarefas difusas e incompatíveis com meus valores. Estava cansada de lutar, deixei-me levar por algo que tive que gerenciar durante um ano. Vi que meu tempo havia se esgotado. Não tinha mais clareza do meu papel naquele sistema e optei por me retirar. Usei a desculpa de cuidar do meu filho e da família. Cuidei de mim também.”

Recentemente a Malu voltou para o mercado de trabalho e continua, em paralelo, atuando como analista junguiana. Na realidade, ainda estou aprendendo como vou viver disso, como ser empreendedora do meu propósito”, explica.  A seguir, você acompanha um pouco mais da história.

“Eu tinha um buraco dentro de mim que nada preenchia. Tinha uma carreira de sucesso, um ótimo salário, benefícios e reconhecimentos incríveis. Mas, e daí? Estou aqui para viver nessa engrenagem mesmo? Eu quis descobrir o oculto, mas, antes, passei por diversos tratamentos energéticos e como eu não encontrava lógica naquilo que eu via, fui fazer um curso de formação de terapeutas. Aprendi muito e, de repente, lá estava eu atendendo pessoas, lidando com situações delicadas e questionamentos semelhantes aos meus. Os movimentos fenomenológicos e sistêmicos, nos quais podemos incluir a Constelação Familiar, me chamou muito a atenção, pois eles trazem os movimentos de um grupo de pessoas ou de uma organização apontando o próximo passo. Foi através desses movimentos que pude perceber melhor o que era esse buraco que eu sentia: não era minha carreira ou a empresa que eu estava, era, na realidade, o valor que eu não dava para minhas conquistas, era o feminino de meu sistema familiar ferido.

Deixar meu emprego para me dedicar a esse tema não foi uma experiência boa. O trabalho de terapeuta é sim o que me move e meu propósito, mas não fiz a transição de maneira racional, fiz apaixonada e as contas chegaram. Como não fiz um plano de negócios, nem encontrei parcerias com visão de negócio, não consegui me sustentar com esse trabalho. Na realidade, ainda estou aprendendo como vou viver disso, como ser empreendedora do meu propósito.

Por isso, minha volta para o mercado de trabalho foi um presente. Eu já nem imaginava que poderia voltar para o mundo corporativo, mas então um colega que trabalhou comigo anos atrás me perguntou como eu estava e se já não seria hora de voltar. Eu disse que seria o momento exato. Então, no ano passado, aceitei a proposta. Eu estou me sentindo muito bem, pois vi que tenho muito a oferecer como profissional, apesar de ter ficado fora do mercado por cinco anos.

Eu continuo atendendo aos sábados, em meu consultório no Butantã, e farei vários workshops nos próximos meses para poder aumentar a divulgação do meu trabalho. Além da constelação familiar, me especializei em análise Junguiana, participo de rodas de curas para mulheres, desenvolvo uma técnica chamada Renovação da Informação Celular (RIC) e calibração da malha energética (EMF).

Eu amo atender. Amo estar ao lado das pessoas que estão com o real compromisso de se conhecerem para que possam cumprir seus propósitos de uma forma mais leve e confiante. Mesmo com o cansaço da semana, quando eu chego na sala que atendo, eu medito, respiro e inicio a jornada às 8h e vou até a hora que tiver que ir.

Sair do mercado de trabalho e trabalhar apenas no consultório é o meu sonho. A transição completa se dará depois que eu efetuar a reforma da sala, a identidade/comunicação visual e quando eu tiver uma agenda que possa me trazer uma relativa tranquilidade financeira. Não posso demonstrar amadorismo, meu trabalho é sério e preciso ter uma estrutura que transmita isso. Sendo assim, lido com esse processo de maneira madura e racional. As paixões são contagiantes, mas é no amor e na disciplina que os sonhos se tornam realidade. Não tenho a ilusão do controle, mas aprendi que, mesmo vibrando na quinta dimensão, a terceira dimensão foi a que escolhi para estar e aprender a materializar, sendo assim, organização e planejamento são atributos necessários.

A Malu de antes não sumiu, ela continua sonhadora e espontânea, mas ela amadureceu. Hoje, levo as dificuldades de uma forma mais leve e não me cobro tanto. Na empresa que estou atualmente tenho me percebido assim. Antes eu queria ter razão, fazer tudo perfeito. Relaxei, no sentido de respirar. Agora quero colocar minha opinião, sem a obrigação de ser aceita. Antes eu fazia tudo sozinha, hoje compartilho mais, escuto mais e, como uma boa analista, ouço o que não está sendo dito com mais facilidade. Respeito o ritmo de cada um e me permito estar exposta e vulnerável. Não tenho resposta para tudo, prefiro criar um ambiente colaborativo e não competitivo. Ainda estou me desafiando para aceitar elogios e praticar o autoreconhecimento. Sou uma perfeccionista disfarçada, exijo um pouco de mim ainda. De qualquer forma, todos os dias tenho a oportunidade de colocar em prática, na vida diária, tudo que aprendi e aprendo quando mergulho para dentro de mim.

Às mulheres que estão lendo este depoimento, em primeiro lugar, quero agradecer o tempo que tiveram para me ler até aqui. Quero contar que há dias que estou mais sensível e disponível para interagir com meu entorno, outros dias nem tanto, mas taí a beleza: não me obrigo mais a nada. Eu sou cíclica, instável e intuitiva. A lua me rege, como rege as águas do mar e as águas de meu corpo, sendo assim, tenho  potência para dar vida e tirá-la, qual lado você escolhe estar? Por muitas vezes quis estar no lado oculto e sombrio das minhas emoções, ao esconder o que sentia e bancando a boa moça. Sabe o que isso me trouxe? Dor! E foi nessa dor que pude aprender o que aprendi, aceitar o que posso transformar e principalmente o que não posso. Sendo assim, para quem tem um sonho, conheça-se, veja de quem realmente é o sonho que você sonha. Depois transforme seu sonho em objetivo, planeje e cumpra as etapas. Estou neste momento agora. Vai dar certo? Não sei. Mas o que seria dar certo? Só sei que é isso que posso fazer hoje com o que tenho de conhecimento agora. Vamos juntas?”    

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