Liege Ishida: Ela trocou o mercado corporativo pelo empreendedorismo para aproveitar a maternidade

Liege Ishida é paulista, neta de japoneses, e mãe do Ivin e da Lissa, que têm 6 e 2 anos. Ela conta que sempre se considerou uma “japonesinha clássica”, muito tímida e esforçada, e foi somente na faculdade, quando estudou Farmácia Bioquímica que, juntamente com amigas muito especiais, percebeu que poderia ser mais extrovertida e levar a vida sem tantas cobranças. Ao longo dos anos, Liege trabalhou no mercado corporativo em empresas como Novartis e Apsen, até que, ao se tornar mãe, começou a pensar em alternativas para aproveitar melhor a maternidade e acabou abrindo a LigVet, farmácia de manipulação focada no mundo pet. A decisão não foi fácil. “A área financeira estava muito bem, mas colocar na balança propósito, ideais e aspirações é o que fez com que tomasse a decisão. Neste caso eu queria ter mais tempo com meu filho. Perder o primeiro passo, a primeira papinha ou a primeira palavra de seu filho não tem preço. Tive que abdicar do consumismo, de viagens, de bons restaurantes, mas com certeza ganhei outras satisfações que hoje eu não troco por nada!”, conta. Conheça melhor a história desta héstia e inspire-se na sua corajosa trajetória!

Liege Ishida e sua filha, Lissa

“Minha trajetória profissional começou na faculdade. Talvez pelo fato de sempre ver meus pais trabalhando muito, logo no primeiro ano fui atrás de algum estágio para que eu pudesse engrandecer meu conhecimento e auxiliar financeiramente em casa. Foi batendo de porta em porta que conquistei emprego em uma farmácia de manipulação homeopática. Por lá fiquei durante dois anos praticamente pagando para trabalhar. Depois fui para a área de pesquisa clínica básica na UNIFESP, a antiga escola Paulista de medicina e, em seguida, tive oportunidade de entrar na tão sonhada indústria farmacêutica através da Novartis, fusão entre as farmacêuticas Ciba Geigy e Sandoz. 

Quando entrei na Novartis, tive que trocar de faculdade, pois estudava em curso matutino e a indústria exigia período integral. O esforço valeu a pena, pois após um belo aprendizado, tive o convite para mudar de emprego e ser efetivada, sem mesmo ter me formado. Fui para a Apsen farmacêutica, empresa na qual pude ter um salário e benefícios jamais esperados na época. Por lá fiquei cerca de seis anos, e posso dizer que era um mundo idolatrado, com verbas promocionais, viagens nacionais e internacionais, presença nos melhores restaurantes com médicos importantes, salário e bônus com muitos dígitos, mas não tinha vida social, o trabalho ocupava quase 24 horas do meu dia e havia muita pressão para fechar resultados.

Eu ainda não tinha filhos, mas naquele momento resolvi sair da empresa e fiquei um mês levando vida de estudante e aprendendo espanhol. Depois deste tempo, entrei em uma empresa nacional para trabalhar com a retomada de um produto que não tinha sido muito bem lançado, um medicamento para disfunção erétil com custo 50% menor que o do Viagra. Foram muitos eventos, muitas emoções diferenciadas, mas não me via como uma boa profissional na empresa e decidi retornar à Apsen. E de lá fui para uma indústria multinacional com as mesmas regras, processos, timelines e metas. Me deparei com problemas de gestão internacional. E desisti mais uma vez… 

Nesta época eu já vivia um dilema. Sabia que diante do trabalho e profissão que tinha escolhido não seria possível ter tempo disponível para estar próxima do meu filho. Perder o primeiro passo, a primeira papinha ou a primeira palavra de seu filho não tem preço. Claro que a área financeira estava muito bem, mas chega a hora em que é preciso colocar na balança propósito, ideais e aspirações. Tive e tenho uma grata satisfação de contar com uma pessoa muito importante nesta decisão: minha família e, mais especificamente, meu marido. Ele entendeu a situação e concordou com esta tomada de uma nova fase em nossas vidas. Foi então o momento de escolha da aposentadoria do corporativo para o CNPJ.

Desisti sem saber o que faria, mas vi uma oportunidade que faltava no mercado. O mundo PET estava em ascensão e, juntamente com colega de faculdade que já tinha uma farmácia de manipulação humana, propus uma sociedade: abriríamos uma área de manipulação destinada aos veterinários e pacientes PETs. Surgiu então, em 2016, a LigVet, farmácia de manipulação com diferencial em tecnologia, eficácia e embalagens, com atendimento exclusivo e entrega agilizada. Hoje, com três anos de existência, estamos com nossa segunda unidade, ainda galgando passos para crescer, mas sempre pensando na melhoria contínua.

E passados três anos da decisão que tomei, posso afirmar que jamais voltaria atrás. Praticamente seis meses depois da decisão tomada, acabei engravidando da minha segunda filha, e a chegada dela provou que nós, mulheres, somos guerreiras, fortes e imbatíveis. Trabalhei até o último dia da gestação, assim como foi no corporativo. E isso graças ao mundo tecnológico digital, que nos permite que, mesmo em home office, estejamos conectadas.

Preciso dizer que minha rotina hoje não é tão menos insana do que quando trabalhava no mundo corporativo. O fato de ter o próprio negócio significa que também não tenho garantia do salário no final do mês. Mas em meio a tudo isso tenho uma família que me dá muito apoio e compreensão. Tenho pais que são uma dádiva e cuidam de meus filhos quando não consigo chegar. Tenho um marido que me apoia e que sempre apostou neste empreendedorismo. O principal desafio ao empreender foi a incerteza de que poderia dar certo. 

Meu conselho para qualquer tomada de decisão como a minha seria: Estude muito até ter a certeza de que é uma área em que você queira atuar. Qualquer nova área de trabalho vai depender de muito conhecimento. Sou a favor de sempre se garantir um trabalho em algo em que você já tenha experiencia prévia. Lembre-se dos tombos que tomamos ao longo da vida e que podemos evitar caso já saibamos como superar. 

Acredito que fazer um plano de ação é o início de tudo. Tanto para ver se o mercado está pronto para te receber como para pagar o que você acredita merecer. O ganho pode ser não financeiro, como foi meu caso. O meu ganho principal foi poder estar em São Paulo e não viajar mais. Temos que saber o que queremos. Mas, antes de tudo, saber se os futuros clientes estão com o mesmo pensamento e com a disposição de pagar o quanto realmente você irá propor.  

Finalmente, quanto a nós mulheres, acho que precisamos nos unir mais, precisamos ajudar umas às outras. Não entendo nada da área de psicologia, mas sei que somos muito mais competitivas, temos um olhar totalmente diferente dos homens e até acredito que somos muito menos resolvidas que eles, talvez por este nosso senso crítico, algo que para eles não impacta muito. Eu acredito que é possível unir a essência e o poder que vários furacões femininos têm. Acredito que é possível gerar um tsunami repleto de amor e crescimento de todas as formas para nós, e penso que a rede, através da Lú, nos ajuda a fazer isso. E para terminar, hoje, ao refletir sobre a minha trajetória, recomendo com voz alta a todas e em bom tom: Tenham filhos. Eles nos fazem respirar melhor e ter novas aspirações para que não possamos parar!”.

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