Kelly Mattos, uma mulher que enfrentou grandes desafios com a força de uma leoa

A vida de Kelly Mattos sempre foi recheada de lutas, vitórias e aprendizados. Aos 15 anos, quando começou a trabalhar, descobriu que precisaria trilhar um caminho de esforço e determinação para se destacar e crescer. “Acho que os principais desafios que surgem na nossa vida são aqueles que a gente mesmo se coloca. Sabe quando você se pergunta o que pode fazer de diferente? Eu passei por isso várias vezes”, conta. Para ela, quando se chega no ponto em que não há muito mais a aprender fazendo o que se faz, é importante buscar algo novo. “Isso não significa, necessariamente, outra empresa ou função, pode ser um novo projeto ou até mesmo um novo desafio na função atual. Várias vezes pedi isso para os meus chefes. E posso dizer que consegui ter uma carreira feliz e ganhar o carinho de muitas pessoas.”

Em 2011, Kelly foi surpreendida pelo destino ao ser diagnosticada com câncer de mama. Na época, aos 35 anos, morava sozinha e havia acabado de assumir o cargo de diretora de Recursos Humanos. O período de tratamento foi intenso e exigiu muita coragem e resignação. “Eu não tinha outra alternativa senão encarar a temida quimioterapia. Perdi o cabelo e a sobrancelha e ganhei uns 10 quilos de puro inchaço”, relembra. O medo do que poderia acontecer estava ali, sempre à espreita. “Tive muito medo de morrer, confesso. Mas fui para cima como uma leoa. Se o médico dissesse que eu teria que plantar bananeira, eu plantaria!”

Como uma fera, Kelly enfrentou e venceu essa batalha e saiu dela ainda mais forte. Há pouco tempo, deu um dos passos mais importantes de sua história: tornou-se mãe do pequeno Bernardo, de 1 ano. “Durante o tratamento contra o câncer descobri que, como consequência da quimioterapia, provavelmente eu entraria em menopausa e enfrentaria desafios caso desejasse engravidar”, explica. Com isso, Kelly não pensou duas vezes e partiu para plano B, a adoção. Às vésperas do Natal de 2018, Kelly viu a família crescer. “Ele foi meu maior presente, para sempre! Hoje, a vida está uma loucura com a famosa dupla jornada de mãe e profissional. O trabalho demanda muito e o bebê também, mas eu não poderia estar mais feliz.”

A seguir, leia mais sobre a incrível jornada de Kelly, uma Héstia que, assim como uma leoa, sabe perseguir a própria felicidade.

“Sempre gostei de trabalhar. Na época da faculdade cheguei a ter dois empregos. Eu me formei em Comércio Exterior aos 21 anos e, pouco tempo depois, entrei para trabalhar na empresa que estou até hoje, há quase 22 anos. Comecei como agente de atendimento ao cliente, mas desde o começo percebi que o que eu gostava mesmo tinha a ver com formação e desenvolvimento de pessoas. Passei ainda por Operações e trabalhei em projetos na área Comercial e Melhoria de Processos. Caí no RH em 2003, fiz um MBA em Gestão de Pessoas e continuo buscando a inovação e a diferença em uma área que só cresce, afinal pessoas são a base de tudo.

Sem dúvida, o ano de 2011 foi muito marcante para mim. O tratamento contra o câncer de mama foi muito pesado. Tive uma infecção delicada logo no começo e não me restou outra alternativa senão encarar a temida quimioterapia, além da cirurgia e das sessões de radioterapia. Me lembro da conversa que tive com meu gestor na época (a quem serei para sempre grata!), falando que eu preferiria não parar de trabalhar. Ele topou! Logicamente meu rendimento não foi o mesmo, mas trabalhar me ajudou a não viver em função da doença. Encarei o tratamento bem porque fui muito acolhida. O carinho das pessoas e a energia positiva me ajudaram demais.

Um ano depois do término do tratamento (você nem acredita quando o médico te fala: ‘agora, você só volta para o acompanhamento a cada três meses’), conheci meu marido num site de relacionamentos e por insistência de uma amiga linda, superpreocupada comigo. Com a autoestima no pé, a última coisa que eu pensava era namorar. Depois de muita insistência, topei deixar meu perfil no ar só naquele fim de semana, morria de vergonha que alguém do trabalho visse. Ele foi o primeiro com quem conversei. Oito meses depois estávamos morando juntos. Casamos de papel passado no ano seguinte.

Ainda durante o tratamento contra o câncer descobri que, como consequência da quimioterapia, enfrentaria desafios caso desejasse engravidar. Como na época eu era solteira e tudo o que eu queria era me curar, não dei muita bola para isso. Meu marido sempre soube dos meus desafios quanto à fertilidade e também sempre compartilhou comigo o desejo de formar uma família. Quando ouvimos dos médicos que seria muito complicado estimular uma gravidez e que havia riscos de saúde envolvidos, partimos imediatamente para o plano B.

Chorei muito, mas foi por pouco tempo. Quando meu marido me disse que nossa missão certamente era outra, entramos de sola no projeto da adoção. Demos entrada na papelada e começamos o processo de habilitação, que levou exatamente um ano. Já habilitados, esperamos mais um ano e sete meses até o dia em que o telefone tocou, anunciando a chegada do Bernardo, um bebezinho lindo de seis meses. Em 10 dias ele estava em casa, nas vésperas do Natal do ano passado. O Bernardo transformou nossas vidas e é a maior prova de que tudo acontece na hora certa.

Acho que a maior lição que tenho tido nos últimos anos é a de saber esperar sempre e fazer a minha parte. Tem coisas que não dependem da gente e que acontecem sem motivo ou explicação. Tenho o seguinte lema: faça bem direitinho a sua parte (isso é primordial) e então descanse tranquilo. Na hora certa, as coisas mudam, vêm ou vão. Foi assim com o meu tratamento, com o meu trabalho e com o sonho de ser mãe! 

Agora, quero muito dedicar mais tempo para mim mesma e para a minha família. Ainda tenho muito a contribuir profissionalmente e nem me imagino sem trabalhar, mas quero desacelerar um pouco. Fazer trabalhos que me permitam gerenciar melhor meu tempo e estar ainda mais perto de mim mesma e das pessoas que amo.

Se posso dizer alguma coisa para alguém é isto: lute, acredite e espere. Tem uma frase que gosto muito que diz que se você não pode mudar o que está acontecendo, deve se desafiar a mudar a forma como responde ao que está acontecendo. Esse é o meu recado. Encare a vida como uma caixinha de surpresas, faça sua parte e deixe acontecer.”

Siga a Rede Hestia:
error