In your shoes – por Andréa Fortes

(Pequeno grande exercício de empatia, com goles de equilíbrio entre o “dar e receber”)
Andréa Fortes, janeiro 2019.

Esta semana eu recebi dois presentes inesperados, de pessoas que nem são assim tão presentes na minha vida: dois vídeos. Me deu saudade da época em que eu escrevia roteiros e acompanhava as produções. Como é mágico ver um texto/história tomar vida e emocionar as pessoas!

No primeiro, uma “propaganda” de chocolate, uma menininha pequena surpreende o vendedor de uma loja de doces ao entregar tudo o que tinha na bolsa para que pudesse comprar um chocolate para a mãe, que estava de aniversário. Uma mãe daquelas batalhadoras, entregues, cansada e amorosa. A menina surpreende o suposto dono da loja com uma moeda, botões, um anel de plástico e até um unicórnio, que parece muito especial pra ela. Ele, tocado, dá a ela dignidade, aceita a oferta e ainda lhe dá o unicórnio “de troco”. Podia ter dado o chocolate. Não o fez e, com isto, honrou a força daquele ato. Foi algo simples, singelo, sutil e, ao mesmo tempo, do tamanho do mundo. Do tamanho do amor por aquela grande mãe. Como agradecer a quem lhe deu a vida? Não há como. Mas pequenos gestos podem ajeitar um pouco esta conta. Bert Hellinger, das Constelações Sistêmicas, diz que não há nada que pague a vida que pai e mãe nos deram. Para “compensar”, devemos ser grandes pessoas e fazê-los terem orgulho da “bola de ouro” que nos deram com a vida. Eu sempre falo em aula que deve ter uma turma grande olhando pra nós o tempo todo. Aquele trisavô que atravessou o oceano, aquele tio distante que um dia perdeu tudo, recomeçou, desbravou e nos entregou, algumas décadas depois, condições de começarmos nossa vida nesta terra linda, Brasil. Não dá para passarmos vergonha e deixá-los constrangidos com nossas ações. Sinto que precisamos ampliar. Sem peso, mas com consciência do tamanho do presente que é isto tudo que nos foi dado.

O segundo vídeo teve menor produção – e nem por isto, menos poesia. Conta a história verídica de um senhor que recebe em sua casa – e nos seus braços, crianças em estado terminal. Ele, de nome Mohamed, as consola e acalenta, até que partam, em paz. Talvez nunca o fizesse não tivesse passado por uma história forte na vida: perdeu a esposa para um câncer agressivo e o único filho é deficiente. Quanto teve que submeter-se a uma cirurgia, enfrentou todos os procedimentos sozinho no hospital: lhe perguntavam: onde está sua família? Não tinha. Enfrentou no “osso”, com coragem e medo, tudo o que tinha que enfrentar e porque vestiu estes sapatos de estar só e assustado, conseguiu usar óculos de empatia com outros, até que criou este projeto com as crianças. Um senhor aparentemente bruto, de certa forma, até parecido com o da loja de chocolates, que “derreteu” e entregou-se ao amor mais puro que há.

Eu estive no fim de ano num “retiro” com a minha filha e mais uma meia centena de pessoas queridas. Fomos mais uma vez para o CEE (Centro de Educação Espiritual), do Robert Happé. Vou lá há um setênio. Carolina chegou a ir na minha barriga. Todo seminário tem novidade e, toda vez, Robert fala do mesmo: de empatia, de não julgar, de aceitar o que é, de cuidar de si para, então, cuidar do outro. As fórmulas são simples, milenares, estão disponíveis e, sinto, as esquecemos.

Neste começo de ano, fiz uma lista daquilo que espero transmutar. Queimei na fogueira. No meio dos escritos, aquelas dores antigas e paralisantes que me fizeram companhia por anos. As honro porque me fizeram crescer e fortaleceram minha musculatura. Mas a deixei ir. Numa outra, desenhei possibilidades. Como a Julia Cameron, do “The artist way”, como o artista que o indiano Satish Kumar cita, que vive em nós, Robert Happé enfatizou que “we are creators”. Te desejo um gole disto tudo neste 2019 que chega tão regado a polaridades. Que tenhas empatia, compaixão (com as tuas dores e as dos outros), que julgues menos e ouças mais, que vivas através de pequenos grandes gestos e que possas continuar te emocionando com as histórias das pessoas. Que tuas criações em 2019 te surpreendam pela beleza e leveza. Estejas inteira (o) para o que vier, seja o que for. E que, chegue o que chegar, possas desfrutar. Como diz o slogan do filme do chocolate: “There is a glass & a half in everyone. Transborde sua luz.

• A glass & a half: chocolate com amor:

• In your shoes: a história de Mohamed Bzeek e seus filhos de alma:

Todas as crianças que visitam sua casa morrem – até agora já faleceram 80, mas muitas mais irão morrer

Depois dos filmes, algumas frases do Robert Happé para começar o ano com chave de ouro. Um “plus” para compartilhar gotas de tudo o que bebi nestes dias por lá 🙂

• “Lembre-se sempre de que você tem o livre arbítrio. Você sempre pode fazer escolhas.”
• “Estamos aqui no Planeta Terra por causa deste caos. Escolhemos vir para cá neste momento para ajudar a criar harmonia.”
• “Tudo neste planeta precisa ser equilibrado. Não siga mais os outros. Eles não sabem onde estão indo. Você escolhe como quer viajar / viver.”
• “Você não vive através dos livros. Para viver, você precisa de experiências.”
• “Há um véu que separa você de quem você é. A primeira tarefa é remover toda a poluição que permitimos entrar. Faça uma lista de medos.”
• Uma pergunta importante: “como você se vê no mundo? Sua vida é uma tempestade ou você vive com alegria tudo o que experencia?”
• “Permita que o outro seja quem ele quer ser.”
• “Quando você vivencia a paz, você vivencia a prosperidade.”
• “Perdoe o passado, viva o novo e expresse a divindade. Aprenda a ser quem realmente você é.”
• “Abrace as oportunidades que chegam a você, principalmente as mais difíceis. Entenda que é uma honra passar por elas.”
• “Confie em si mesmo, no seu poder, e seus medos vão desaparecer.”
• “O que você deveria e o que você não deveria fazer? Liste!”
• “Você é uma pessoa confiável? É possível manter uma relação com você? Você tem o respeito das outras pessoas?”
• “O quão estável você é ao se relacionar com as outras pessoas? O quão equilibrado?”
• “Qualquer coisa que você tenha feito que tenha gerado dor em outra pessoa precisa ser equilibrado.”
• “Propriedade pode ser substituída; a credibilidade, não.”
• “Pessoas adoram falar mal daqueles que têm muita luz.”
• “A lei da credibilidade diz que você deve ganhar crédito pelo que fez e recusar por aquilo que não fez.”
• “Não é o que você possui, mas como você sente quem você é.”
• “Sua mente é crítica e julgadora. Plante uma semente do amor nela.”
• “Dar um presente algo a alguém (de mão beijada) cria, ao mesmo tempo, dependência. E destrói a habilidade da pessoa de cuidar de si mesma.”
• “Não se lamente. Senão a sua alma atrai mais dor.”
• “Quais são as suas morais, lealdades e valores sociais?”
• “Alegre-se com a vida, sirva os que encontre com amizade, sorrisos e conhecimento.”
• “Tome nota de todas as suas conquistas. Esqueça as suas falhas.”
• “Quando você serve os outros com o seu conhecimento, mais energia vem para que você possa trabalhar ainda mais.”
• “Só existe uma verdade: a verdade do que está acontecendo agora.”
• “Use o dinheiro para melhorar a energia do planeta.”
• “Harmonia chega quando as pessoas colaboram umas com as outras.”

*Foto: photo by Tirza Van Dijk, site unsplash

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