Integração, transformação e propósito são as palavras-chave da vida de Claudia Miranda Gonçalves

A consultora e coach sistêmica Claudia Miranda Gonçalves chegou ao Brasil aos seis anos de idade. Ela veio da Rússia ao lado de sua mãe. “Era 1972, período de ditadura militar, e vir de um país comunista não nos ajudou em nada. Por anos a fio tive que suprimir uma boa parte de quem sou e do que me formou”, relembra. Até seu nome foi alterado e o sobrenome russo Pavlovna deixou de existir.

Na escola, Claudia era apaixonada por números e poesia. Ao se deparar com o vestibular, surgiu a dúvida entre engenharia e psicologia. Escolheu a engenharia, que cursou por dois três semestres, e descobriu que, de fato, o que queria mesmo era estudar psicologia. “Já no segundo ano comecei a fazer iniciação cientifica, e renovei a bolsa por três anos.” Ali, ela aprendeu o rigor científico e o raciocínio investigativo. Da engenharia, carregou consigo o pensamento sistêmico e o foco em soluções.

Seu mestrado foi voltado às técnicas psicoterápicas e, após três anos de formação, descobriu que a clínica não era ainda exatamente o que queria. Claudia entrou em pânico: “Imagine trocar engenharia por psicologia para, depois de muitos anos e ralação, descobrir que não era bem isso?” Durante os primeiros anos de formada, ela fazia trabalhos freelancers para se bancar enquanto fazia o mestrado e, depois, para viabilizar seu consultório. Ela conta que foi  babá, tradutora e assessora para MBA internacional. Com esse último trabalho surgiu a solução de sua carreira: o coaching. Ao assessorar pessoas que iam para o exterior fazer faculdade, ela conseguia ajudá-las a se entender melhor e buscar suas aspirações. “Gostei tanto desse trabalho que procurei formas de me preparar melhor para ajudar as pessoas. Percebi que gostava mais dessa coisa de futuro, que depois descobri que era coaching, que aquela do passado que a psicoterapia trazia. Tomei coragem e fui aos poucos me desligando da psicanálise e me conectando com o mundo do coaching.”

Seu primeiro contato com o coaching foi dentro do modelo sistêmico. Foi amor à primeira vista. “Eu soube ali que tinha achado a minha coisa. Daí por diante não parei mais, foram mais de 3 mil horas de cursos e formações em coaching e consultoria sistêmica, constelações sistêmicas e outras ferramentas sistêmicas como dragon dreaming, círculos de paz, teoria U. Hoje, sou mãe orgulhosa da Jornada Sistêmica, uma plataforma para coaching e consultoria e estou com um material com diversas metodologias sistêmicas para aplicação organizacional no prelo. Um grande sonho está em vias de se realizar, que é ter a chance de ter um ou dois meses de intercâmbio no MIT para desenvolver meu projeto de indicadores sistêmicos evolutivos.”

Leia abaixo um pouco mais sobre Claudia, uma profissional com 28 anos de estrada que ainda tem muito para aprender e oferecer ao mundo e que, aos 52 anos, diz que se for para chamá-la por algum título, que seja transformadora.

“Sem dúvida, manter a fé de que iria encontrar sentido na carreira foi um grande desafio nos 10 primeiros anos de profissão. As trocas de atividades e a sensação de ‘ainda não ser aquilo’ me desanimavam por vezes. Na segunda década, eu tinha que equacionar filhos e carreira. Em alguns momentos tomei decisões difíceis, como declinar de me tornar parceira de meu grande mestre em coaching integrativo sistêmico, o que me exigiria longas ausências de casa em função de viagens, por entender que essa ausência seria um preço muito alto para a família.

Ser empreendedora, tornar-me coach executiva sem ter trabalhado em empresas também foi desafiador, mas minha experiência com mais de mil candidatos a MBA internacional me deu uma visão ímpar do mundo corporativo. Meu desafio atual é de tornar o coaching escalável através da Jornada Sistêmica.

Eu acredito que o trabalho com propósito pode ser feito com pessoas, grupos e organizações. O propósito dá o norte e ajuda a manter a coerência na tomada de decisões. A visão sistêmica é essencial, pois sempre estamos participando de sistemas diferentes, como família, amigos, time de futebol, trabalho, nação… Sempre temos que conciliar o nosso propósito pessoal com o propósito dos diversos sistemas de que participamos. Utilizo diversas metodologias sistêmicas para ajudar indivíduos e grupos a encontrarem seus propósitos, ou seja, COMO  fazem as coisas, pois o propósito está muito conectado com nossas ações. Constelação pessoal e organizacional, Dragon Dreaming, Círculos de Paz, todas essas metodologias e muitas outras partem dos princípios de sistemas vivos. Durante o coaching ou consultoria, consigo ajudar  pessoas e grupos a saírem de padrões de funcionamento que estejam defasados ou que sejam negativos para o momento.

O propósito é uma energia, é o COMO fazemos as coisas. Imagine que toda energia é primeiramente potencial para se transformar em alguma forma de trabalho. Quando temos consciência de nosso propósito, podemos agir de forma mais intencional. Podemos nos perguntar em diversos momentos do dia: de que maneira posso colocar mais do meu propósito nos próximos 15 minutos? Esse exercício é ótimo para vivermos mais de acordo com o nosso propósito e nos obriga a nos tornar criativos para buscar essas respostas.

Estar em sintonia com o propósito aumenta a coerência com valores pessoais, melhores decisões, e aumenta os momentos em que estamos no estado de flow – quando estamos UM com o que estamos fazendo, que não vemos o tempo passar, não cansamos. Um exemplo bem claro é uma performance musical. Muitas vezes, o músico se torna um com seu instrumento e parece que não há mais nada naquele momento. Uma vida com sentido é mais prazeirosa também. Precisamos aliar isso ao sentimento de estar fazendo algo maior que nós mesmos. Somos criaturas sistêmicas e faz parte de nosso propósito a evolução dentro dos sistemas dos quais fazemos parte.

Se tem algo que o tempo me ensinou é que a solução certa vem em seu momento. Paciência e perseverança são muito importantes. O tempo também me ensinou a brincar e sonhar, ousar.  A Claudia de alguns anos atrás tinha muita fé e era muito nerd. Sempre gostei de estudar. A Claudia de hoje já quer pegar isso tudo que a nerd aprendeu e colocar à disposição do mundo em forma de ferramentas e plataformas sistêmicas. Me sinto bem livre para sonhar e colocar as coisas em prática.

Na área pessoal, estou começando uma transição para que em 8 a 10 anos eu possa passar 70% do meu tempo em São Paulo e 30% em João Pessoa. Agora estou com meu apê em Jampa e já fazendo viagens de 1 semana a cada mês e meio. No plano profissional, meu projeto é levar a Jornada Sistêmica para mais localidades e digitalizar a plataforma. No segundo semestre deve sair um e-book de check up organizacional sistêmico, com reflexões e ferramentas que visam difundir mais a forma sistêmica de ver as coisas. E o sonho do sonho será conseguir ficar de 2 a 3 meses no MIT para colaborar no desenvolvimento de minha ferramenta de indicadores sistêmicos evolutivos.

Agora, para você que me lê, eu conto qual foi a pergunta que me ajudou a me conectar ao meu propósito: O QUE É TÃO IMPORTANTE PARA MIM QUE QUERO VER MAIS DISSO NO MUNDO?Lembre-se que o propósito evolui junto com você. O meu era gerar integração, integrar meus mundos era tão importante para mim que eu queria ver mais disso no mundo. Com isso, construí tanto minha trajetória de vida quanto a carreira. Há cerca de 1 ano senti uma mudança e meu propósito passou a ser trazer clareza, lucidez. E isso tem me guiado em minhas escolhas, em como me relaciono com as pessoas e a vida. Meu recado para você é que seja fiel a si mesma em primeiro lugar e, com isso, você vai ajudar muito mais. Também confie na vida, seja grata às ajudas que teve, aos momentos de sorte, brinque mais, não se leve tão a sério. E não desista! Resignação ou ingenuidade não são virtudes. Lute por sua própria felicidade. Pratique seu propósito todos os dias, nos momentos mais variados e veja como a sua vida muda com isso.”

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