Daniela Strebinger, a engenheira química que redescobriu sua essência feminina

Há 25 anos Daniela Strebinger “se diverte” trabalhando em família. Ela brinca que antes de trabalhar na indústria química do pai, os dois pensavam que nunca trabalhariam juntos, pois achavam que isso não era saudável. Até que um dia, enquanto Dani estava de férias, seu pai pediu para que ela passasse alguns dias na fábrica para ajudá-lo com algumas questões, e foi quando tudo começou. A Dani, que cursou Engenharia Química inspirada por um professor de química orgânica do Ensino Médio, chegou a realizar estágios na Union Carbide e na Solvay, na qual também passou por um programa de trainees. “Passei por um programa de trainees que foi excelente. Aprendi muito na Solvay, trabalhava com uma equipe excelente e sempre me realizei no mundo fabril”, conta.

Depois de alguns anos, seu irmão – que era do mercado financeiro – também foi trabalhar na empresa da família. Ela explica que, no início, o trabalho era um grande desafio, pois eles acabavam misturando o lados pessoal e profissional. “Decidimos nos encontrar uma segunda-feira por mês fora do escritório para ‘lavar a roupa suja’. Brigávamos um monte, mas saíamos fortalecidos.” Na empresa, cada um assumiu uma área especifica e seu pai, que sempre foi um grande ouvinte, sempre conectado às novidades e, nas suas palavras, “um cara brilhante”, fez a parceria dar certo até hoje. Atualmente, eles estão trabalhando em um plano de sucessão e Dani faz um curso de formação em Consultoria Integral que a tem desafiado muito.

Da vida pessoal, Dani ressalta que se não trabalhasse, acredita que a sua casa seria mais impecável e ficaria mais tempo com os filhos. “Mas, provavelmente, a minha qualidade de tempo com eles não seria tão boa, tão preciosa. Acho que o equilíbrio é o segredo de tudo. Obviamente surtei várias vezes de cansaço. Estar inteira em todas as funções de mulher não é fácil, mas me sinto realizada e, se voltasse atrás, mudaria poucas coisas.” Conheça agora um pouco mais sobre essa mulher inspiradora que aprendeu a se reconectar com seu lado feminino quando estava chegando aos 50 anos.

“Sempre ouvi da minha avó, que trabalhou a vida inteira, que eu precisava trabalhar porque quando quisesse comprar aquele brinco e sapato laranja que estão na moda não precisaria pedir para ninguém! Hoje, eu viajo bastante a trabalho para buscar novas tecnologias, novos produtos, e por trabalhar numa empresa de porte médio, existe uma agilidade para focar nos mercados que estão demandando mais no momento com bastante rapidez.

Falando sobre vida pessoal, tenho dois filhos, de 21 e 18 anos. Quando engravidei, a nossa gerente financeira na época me disse que tinha se arrependido de ter passado tão pouco tempo com as filhas, então pensei bastante e me organizei para tirar de uma a duas tardes por semana para ficar com as crianças. Quando eles nasceram, eu não tinha estrutura na fábrica para tirar 4 meses de licença-maternidade. Então, assim que pude voltar a dirigir, ia pelo menos meio período para o trabalho, levava as crianças comigo, tinha um cercadinho na sala do administrativo e, quando eles choravam, eu ia lá amamentar. Aliás, amamentei cada um por um ano. Na hora do café, eles passavam de colo em colo da galera da produção, nada esterilizado.

Um dia, meus filhos fizeram um trabalho na escola em que tinham que me perguntar como eu me sentia como mulher profissional, e eu sempre digo que me sinto privilegiada, nunca me senti discriminada, apesar de trabalhar em um ambiente bastante masculino. Com certeza, a jornada dupla, com trabalho e casa, não é fácil, mas cada vez fica mais leve, as crianças vão crescendo, o nosso trabalho físico diminuindo, eles começam a ter a vida deles e nós a nossa ocupação, a nossa realização. Acho que se eu não trabalhasse a minha casa seria mais impecável, eu ficaria mais tempo com os meus filhos, mas, provavelmente, a minha qualidade de tempo com eles não seria tão boa, tão preciosa. Acho que o equilíbrio é o segredo de tudo. Obviamente surtei várias vezes de cansaço. Estar inteira em todas as funções de mulher não é fácil, mas me sinto realizada e, se voltasse atrás, mudaria poucas coisas.

Me deparei com uma decisão muito difícil há três anos, que foi a minha separação.  Sempre acreditei em uma família de comercial de margarina e, neste caso, comecei meu relacionamento aos 18 anos e fiquei com ele até quase 48! Financeiramente, sempre fui muito independente, empoderada, forte, mas no relacionamento não era bem assim. Passei muito tempo sem perceber que não estava feliz. Nós não conseguíamos ser parceiros, eu não me sentia apoiada e nem admirada dentro do casamento. 

Com a separação e tantas mudanças, há uns dois anos um amigo muito querido me procurou pedindo para usar a nossa empresa para fazer o trabalho de conclusão do seu curso de Consultoria Integral. Meu irmão e eu ficamos reticentes em envolver a empresa num trabalho experimental. Pedimos para conhecer primeiramente o grupo de trabalho e foi amor à primeira vista, porque eram profissionais altamente capacitados. De presente, esse trabalho nos ofereceu um processo de coaching.  O meu diagnóstico foi: ‘você precisa se transformar de Mama Bear em uma Prima Ballerina’. Confesso que, naquele momento, pouco entendi, as minhas energias estavam voltadas totalmente ao cuidado dos outros e não estava me olhando. Acabei me apaixonando pelo processo e mergulhei de cabeça. O trabalho de mindfulness do coaching me reconectou com a minha essência feminina. Até em aplicativo de relacionamentos eu entrei.

Posso dizer que antes meu lado feminino estava adormecido, eu não usava nem sandálias. Hoje, eu me sinto muito mais livre e sensual, empoderada e segura, em todos os sentidos, o que tem reverberado até na minha aparência (até me perguntam se eu fiz plástica no rosto). Eu me sinto jovem e com um longo caminho a trilhar, nunca vou dormir sem aprender algo novo, estou sempre curiosa!

É incrível como essa mudança de energia fez com que amigos antigos, de quem andava afastada, voltassem a me procurar! Se bobear, eu saio todos os dias, então corto um pouco. Você mexe em uma coisa e reverbera em todo o resto. Faço cursos. Faço atividade física todos os dias, seja ioga, balé fitness, pilates, dança, caminhada. Fui para a Índia de uma hora para outra. Até para o meu trabalho, que é um ambiente mais masculino, eu consegui trazer uma energia mais feminina, o lado do sentimento, das relações. Se antes eu me sentia completamente insegura, eu hoje me sinto muito bem comigo mesma, mais serena, mais tranquila. Com o processo de coaching eu fui mudando minha forma de me posicionar, e passei a viver o presente. O meu rendimento é melhor, me sinto mais presente, desempenho os meus papéis de forma mais positiva. 

O que eu aprendi com o tempo e posso compartilhar é que devemos sempre nos colocar em primeiro lugar para podermos nos doar inteiramente, para estarmos verdadeiramente presentes e energizadas. Tenho passado por grandes transformações, me jogado de cabeça em todas as oportunidades que aparecem. Ainda tenho várias sombras para trabalhar, é um trabalho de constante evolução, mas, quando olho para trás, sinto muito orgulho da coragem que tive de quebrar paradigmas e esse caminho não tem volta.

Na minha vida profissional, atualmente estou no processo de implantar na empresa as sugestões de melhoria apontadas pelo grupo da Metaintegral, o que tem sido um grande desafio, uma diferença total de comportamento e processos. Tenho me dedicado bastante para que elas se tornem orgânicas. Pessoalmente, pretendo continuar nessa jornada de autoconhecimento, de atividades físicas, que estou amando, participar em grupos de mulheres, amigos, porque essas trocas me reenergizam.

E para cada mulher que está lendo, quero dizer para focar em você. Não carregue o que não te pertence. Quando você tiver que provar quem você é para se sentir reconhecida, valorizada ou amada, reflita, porque tem algo de errado por aí, não é seu número. A gente só se arrepende do que não fez, então se jogue, arrisque. A vida tem que ser divertida! Seja mais você SEMPRE!”


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