Cansada do excesso de informação? Eu também!

Já acontecia muito antes dessa crise toda vir à tona, mas desde que passamos a ter que encarar uma quarentena e uma série de preocupações e medos relacionados à pandemia do coronavírus, parece que ter que lidar com o excesso de informação virou um desafio ainda maior.

Abro o computador e  vejo notícias sobre desgraças o tempo todo. Ligo a TV e acontece o mesmo. Entro nas redes sociais e observo pessoas se digladiando para defender X ou Y. E confesso que até mesmo a quantidade de lives e cursos do bem têm me cansado um pouco, pois a impressão que dá às vezes é de estar perdendo tempo ao não conseguir consumir tanta coisa diariamente.  

Mas calma, respiremos! Resolvi escrever esse artigo para propor uma reflexão sobre o excesso de informação antes de ser eu mesma mais um vetor de novas informações nesta rede. É preciso que, antes de qualquer coisa, não nos obriguemos a usar o tempo de forma super produtiva nem dar mais do que conseguimos de nós mesmas nesta fase tão atípica.

Zelar por nossa energia, preservar os nossos pensamentos e usar o tempo com equilíbrio também podem ser atitudes ainda mais importantes do que nos tornarmos super heroínas nesta fase. É preciso estar bem emocionalmente para que consigamos, inclusive, lidar com as demandas necessárias que virão desta crise toda. Elas serão muitas e exigirão adaptações na forma de trabalharmos, nos relacionarmos, lidarmos com o dinheiro e etc.

Filtro é essencial

O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman dizia que “A tecnologia da informação é uma biblioteca de pedacinhos de fragmentos sem algo que os reúna e os transforme em sabedoria e conhecimento. Isso destroí certas capacidades psicológicas, como atenção, concentração, consistência e pensamento linear”.

O fator-chave nisso tudo é ter discernimento para consumir o que faz sentido neste momento. É usar filtros diários para que a quantidade excessiva de notícias, de posts, de lives e de cursos não causem efeito contrário em nossas vidas e nos desestimulem no lugar de estimular. Tudo pode ser maravilhoso, desde que consigamos nos dar licença para não ter que consumir este ‘tudo’.

Alguns anos atrás, em entrevista ao Estadão, o psiquiatra Mário Louzã, do HC, disse que o grande desafio quando se lida com excesso de informações é saber selecionar o que interessa. “A informação tem que ser metabolizada para se tornar conhecimento. Tem que haver um filtro. Nosso sistema de memória a arquiva conforme a importância”. Também disse ele que se o cérebro encontrar dificuldade em analisar e tomar uma conduta adequada perante os dados que tem, a pessoa fica paralisada. Isso já aconteceu ou tem acontecido com você?

Equilíbrio sem culpa

Tenho tenhado achar um equilíbrio no uso do tempo. Nos primeiros dias de quarentena, eu ficava muitas horas na frente do computador exatamente como fazia na época pré isolamento. Agora procuro resolver mais rapidamente as demandas diárias diante da tela e usar parte do tempo para fazer outras coisas que me permitem cuidar da saúde emocional e mental, como assistir vídeos de meditação guiada, ler, fazer exercícios. E você, como tem feito?

Quis escrever este artigo porque muitas vezes nos sentimos sozinhas e culpadas quando olhamos para o mundo em movimento e não conseguimos nos movimentar. Não estou dizendo que não acho o movimento importante, muito pelo contrário, acho essencial. Mas também é preciso nos dar tempo para recuperar as energias e retomar o ritmo. Se não deixamos que o celular fique sem bateria, por que isso acontece tão frequentemente conosco e não tomamos o cuidado necessário? Um dia de cada vez e muita sabedoria e união para passarmos por esta fase da melhor forma é o que desejo!

* Janaina Gimael é jornalista, articulista do Dinheirama e estuda psicologia positiva no momento.

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