Belinha – por Fabiana Milanez

A Belinha chegou na família e mal cabia na palma da mão de tão pequenina. Concordamos em colocar algumas regras para educá-la, afinal, o animal precisa saber quem manda em casa.
Lição #1: “Lugar de cachorro dormir é fora de casa”.
Onde então você iria dormir?

O lugar mais apropriado em um apto de 55 metros parecia ser a lavanderia, que foi bloqueada por uma tábua, dessa forma, você não conseguiria pular e ultrapassar os limites definidos.
Esquecemos que você só tinha 30 dias de vida e não sabia nem andar direito, para falar a verdade, você andava de marcha ré.

Sua estadia na lavanderia durou menos de um dia e seu novo local para dormir passou a ser na sua caminha ao lado da cama dos pais, o que durou menos de uma noite, porque seu chorinho pedindo aconchego cortava o coração, e você foi logo promovida à cama dos pais.
Você dormiu a noite inteira colada na minha barriga e parecia querer quebrar as barreiras da física, compartilhando o mesmo espaço físico.

Você parecia tão feliz e segura, mas numa fração de segundos, você foi para o seu local definitivo e de onde nunca mais saiu: “Os nossos corações”.

Esperta, você conseguia tudo o que queria, sinalizava quando a água do pote tinha acabado, e direcionava qualquer um que chegasse em casa para seu pote de biscoitos na cozinha.
Quando eu me aborrecia com suas artes, você fazia cara de arrependimento e conseguia tocar lá no fundo da minha alma, pedindo desculpas somente com o olhar.
Quando eu me aborrecia com seu irmão, você murchava as orelhinhas e esperava o momento certo pra me abraçar e quebrar toda a armadura de mãe educadora, acho até que você podia dar aulas de Inteligência Emocional.
Aventureira, um dia pulou do sofá e quase quebrou o queixo. Um outro dia, pulou do muro e quase quebrou as patas.

Uma de suas grandes aventuras foi se embrenhar no mar e ainda virar de ponta cabeça no caiaque, esse dia nunca vou me esquecer, você superou todos os seus medos e atendeu nosso chamado. Acho que você seria também uma ótima motivadora de pessoas.

Hoje você não está mais presente fisicamente, mas eu ainda consigo ouvir seu latidinho ardido quando abro a porta ao chegar em casa. E as vezes, acordo no meio da noite com receio de te amassar.
Gratidão Belinha, pelos anos de alegria e lealdade, e por ter me ensinado que “O amor ultrapassa as barreiras do tempo e do espaço🐾🐾”