Andréa Nery, do impacto financeiro para o impacto nas pessoas e organizações

Andréa Nery é mineira de Santa Rita do Sapucaí, mas morou em Curitiba, onde o irmão nasceu; e depois veio para São Paulo com a família. “Como meus pais não eram de São Paulo, desde pequena viajei muito. Tenho excelentes memórias da minha infância e das muitas viagens de carro que fizemos pelas estradas de nosso país, não é por acaso que sou apaixonada por viajar e conhecer culturas novas.”, conta.

Andrea é formada em estatística e, após concluir o mestrado, acabou entrando no mercado corporativo. A primeira oportunidade surgiu na área financeira da Natura, mas em pouco tempo ela entrou no mercado financeiro para trabalhar na área de risco. “O Citibank foi uma grande escola, mas meu desejo de morar fora me fez buscar outras oportunidades. Fui trabalhar em uma consultoria americana, onde fui expatriada e tive oportunidade de trabalhar em vários países de diversos continentes.”

O nascimento do segundo filho levou Andrea a voltar ao mercado financeiro com base no Brasil. Nesta época, ela trabalhou no ABN-Amro, onde assumiu desafios diferentes por 7 anos. Depois foi Head de Riscos do Banco Volkswagen, saiu para retomar sua a atuação em consultoria e, alguns anos depois, em 2019, decidiu largar a vida executiva para se dedicar ao desenvolvimento humano e organizacional. “A jornada de autodesenvolvimento e formação não termina e a transformação é constante, então consigo dizer que a Andréa do início da carreira com certeza é muito diferente da Andréa de hoje, mas que também será muito diferente da Andréa de amanhã!”, conta. Conheça a história desta héstia.

“A decisão de me tornar coach é o fruto de um processo longo de autoconhecimento e experiências que tive em minha carreira executiva. Dois grandes movimentos, quando trabalhava no ABN-Amro, foram determinantes na decisão. O primeiro foi minha participação em um programa de liderança em 2006, onde fui coachee pela primeira vez e entendi que com uma metodologia estruturada, o alinhamento com meu propósito e valores transformava de maneira relevante a qualidade das minhas entregas e trazia um nível de consciência muito grande nas minhas decisões. O segundo foi em 2008, com um projeto de diversidade em que participei como voluntária. Ele convidava executivos do banco para atuar como Mentores de Mulheres e Negros e foi responsável por me mostrar a importância de uma mentoria estruturada e desafiar minha escuta para ser capaz de colocar minha experiência a serviço do outro.

A partir daí, iniciei a jornada de autoconhecimento e formação e decidi que a minha liderança, por onde passasse, deveria ter o centro no humano. Fiz várias formações até chegar no meu credenciamento na ICF (International Coaching Federation) em 2016.  Enquanto estive no ambiente corporativo, segui atuando como coach e mentora, na maior parte dos casos de forma voluntária e usando as habilidades do papel de coach na minha liderança. Porém, no início do ano passado, refleti muito sobre o momento por que passavam as empresas e o meu momento; e decidi que realizando minha transição de carreira poderia gerar mais impacto nas pessoas e organizações atuando a partir do meu propósito

Os maiores desafios que encontrei até agora foram me conhecer, aceitar meus pontos fortes e as oportunidades e exercitar tomadas de decisões conscientes. A vida profissional não está separada da vida pessoal, a incoerência entre o que faço e o que falo tem consequências diversas, e este caminho precisou de muitas decisões que nem sempre foram conscientes!

Hoje sou sócia da Ikigai, junto com a Claudia e a Lívia. A Ikigai é uma empresa que trabalha com desenvolvimento humano e organizacional, e que atua trabalhando o propósito como o motivador para uma presença no mundo de qualidade e felicidade. Ikigai, aliás, é uma filosofia de vida que vem do Japão e que significa “razão de ser”. Qualquer pessoa que tenha uma empresa no país já deve imaginar um pouco do que é parte do meu trabalho hoje! Mas, tenho atuado junto com meus clientes como coach, mentora e facilitadora.

O meu grande desafio este ano é consolidar meu negócio, sendo reconhecida também como uma profissional da área de desenvolvimento humano e organizacional, que se diferencia pela experiência executiva, com um background financeiro e de tecnologia.

Ao mesmo tempo, é muito importante para mim que isso ocorra de forma equilibrada, e que minha vida pessoal e profissional estejam cada vez mais em harmonia.

Sou casada há 25 anos com Luciano, a quem sempre faltam palavras para agradecer e reconhecer quando penso em toda a jornada que temos vivido e no apoio que sempre demos um ao outro. Sou mãe da Mariana e do Pedro, que me transformam e desafiam todos os dias e são seguramente os grandes responsáveis por me lembrar que devo enfrentar o que for preciso (inclusive eu mesma!) para deixar meu legado neste mundo. Me divirto ao encontrar minhas amigas, com quem consigo compartilhar todo tipo de experiência e aprendizado e sempre exercito uma escuta diferenciada.

Gosto de cozinhar coisas diferentes e de fazer festas para receber a família e os amigos. Busco repor minhas energias com um bom mergulho no mar, com o cheiro da maresia e os pés na areia. E aprendi a equilibrar minhas emoções com muita respiração, yoga e meditação. Assim, descobri a força que esta sintonia interior provoca em mim. Sou muito curiosa e inquieta, gosto muito de estudar, sou ligada em tecnologia e em tudo que números podem nos dizer, por isso adoro fazer conexões e provocar as pessoas à minha volta para que queiram sempre buscar a melhor versão deles mesmos. Só meu marido e filhos podem dizer o quanto isso é verdade…

Quando penso nas mulheres que querem mudar de rumo profissional, o primeiro pensamento que me vem é a importância de entender que a mudança vai ser cada vez mais frequente no nosso dia a dia. A realidade que estamos vivendo no mundo é o resultado de um processo exponencial e tudo à nossa volta está se transformando ou já se transformou… e a velocidade das mudanças será cada vez maior, assim como sua frequência. Portanto, entender o que a impede de ter coragem para dar este passo é essencial, não só para sua felicidade atual, mas para muito do que você vai viver daqui para frente.

Andrea Nery

As habilidades femininas serão cada vez mais necessárias, nos mais diversos campos de atuação, e ainda que tenhamos muitas batalhas para enfrentar, acredito que não exista uma área sequer de atuação que não vá precisar de uma profissional qualificada. Acredito também que se seu desejo é mudar este rumo, para ficar mais em casa e se dedicar a sua família, você deve entender que este é sim um papel tão “importante” quanto qualquer outro!

O segundo ponto é que, independentemente da mudança que queira realizar, é preciso estar alinhada com seu propósito e você precisa entender como esta mudança está colocando você na direção do que é a sua razão de ser. Toda mudança requer sacrifícios, persistência, resiliência e significa tomar decisão, ou seja, de algo você terá que abrir mão. Conectar-se com seus valores, entender seus pontos fortes, suas motivações e história de vida podem colocá-la em um fluxo muito positivo de energia que trarão mais consciência para seu caminho. Busque se conhecer mais, pois as respostas e a força para a mudança já estão dentro de você!

Com relação à rede Héstia, acredito que ela veio para atender um chamado da sua fundadora, Luciana Sato, mas que é um chamado de muitas mulheres, por isso sua razão de existir “conversa” muito comigo. Todas nós sentimos muita falta de uma rede de apoio, não só para que possamos ser ouvidas e tenhamos um espaço que vá além de nosso trabalho e nossa casa, mas também para que possamos nos empoderar. Nos encontros da Rede Héstia, temos oportunidade de ouvir histórias e entender dificuldades de outras mulheres como nós. Também encontramos pessoas dispostas a compartilhar seus conhecimentos e, com isso, nos enriquecer com novos caminhos, abrindo múltiplas possibilidades.

Acredito muito que as mulheres têm que se apoiar, e que precisam aprender a fazer seu networking e as alianças que promovam seu desenvolvimento. Mas acredito também que precisamos aprender a buscar apoio dos homens, pois sem eles reforçaremos uma “separação” que não faz sentido. Se não nos deixarmos conhecer e não explicitarmos nossas necessidades, alcançaremos resultados que não serão sustentáveis, pois não virão de um processo realmente inclusivo. Fico muito feliz quando vejo homens se juntando à rede Héstia e dispostos a se movimentar para facilitar o empoderamento feminino e agregar valor a este networking.

Para terminar, acredito que nosso futuro está nas redes de compartilhamento, nos processos colaborativos, na inovação. São muitas as habilidades femininas necessárias para construir algo com qualidade e deixar um legado para as gerações do futuro. Mas tudo isso só vai acontecer se conseguirmos nos conectar de forma autêntica, e para isso precisamos nos conhecer melhor a cada dia, precisamos estar conectados com nosso interior, com nossos valores e com nosso propósito. Busquem isso todos os dias, e lembrem-se que isso é uma jornada e não um trabalho que fazemos em um dia e não precisamos fazer mais.”