A síndrome da super-heroína

A tua fragilidade não te afasta do outro, é você que vê dessa forma, na verdade ela te aproxima. Humanos se conectam com humanos, na maioria das vezes essa conexão começa pela fragilidade, pelo sentimento de não estarmos sós.
Se eu me identifico com a sua dor, sei do que você está sofrendo, sentindo, claro que não sei totalmente, mas é uma dor familiar, parecida com a que sinto.
Me vejo na sua dor e você se vê na minha, pronto nos encontramos!
Pessoas precisam de contato, do social, do outro, o tempo todo, e é nas vulnerabilidades que nos percebemos humanos, precisando de colo e assim saímos do automatismo do dia a dia e pedimos amor. Seja um olhar, um afago, um elogio. Carinho é o que precisamos, mas ficamos tão preocupados em obter isso dos outros, que muitas vezes esquecemos de nos fazer esse aconchego, de olharmos de forma mais gentil, apreciando as nossas fraquezas, a nossa feiura, os nossos horrores.
O que tememos? Talvez de nos descobrir mais humanos do que imaginávamos, vulneráveis, dependentes, mas essa é a condição básica de todos nós.
Começamos nossa vida dependentes e morremos dependentes, não só dos outros mas principalmente de nós mesmos, da nossa atenção, carinho e disponibilidade.
Quanto da sua disponibilidade é dispensada para você? Ou você é daquelas que é muito disponível a demanda dos outros mas quando chega a sua vez se ignora.
Medo, né? Do que? Pode ser de olhar para as suas fragilidades, para aqueles assuntos escuros que ficam melhor embaixo do tapete, #sqn. Questões “ignoradas” se transformam em males, doenças e toda a sorte de sofrimento que você possa imaginar.
Pare de bancar a super-heroína, deixe o super-traje pendurado um pouco no armário. Observe o quanto você está cansada, estressada, angustiada e como isso afeta a sua relação com todos. A super-heróina que você idealizou pode estar te matando, pare de se cobrar e se impor tarefas perfeitamente realizadas, uma vida sem falhas, sem desorganização, em que só você sabe fazer, que tudo tem que ser do seu jeito, que é o melhor. Pare de ter que salvar o dia, TODOS OS DIAS!
E quem te salva?
Aceite a ajuda dos outros, deixe as coisas saírem do jeito que for, elas vão sair, com ou sem você. Sim aceite que você pode ser substituída, não no que importa mas no que te deixa assoberbada. As mulheres podem dar conta de muitas coisas, mas precisa dar conta de tudo? Sim, na sua opinião, você precisa ser a super-heroína para ser amada, respeitada, ou admiradas pelos outros, o que acaba sendo um tiro pela culatra. Você pode afastar os outros, por externamente, se fazer tão necessária e autossuficiente, enquanto internamente você se sente sozinha, carente e esvaziada.

Não consegue largar o super-traje? De uma hora para outra não vai rolar. Aos poucos vá deixando ele no armário, transforme isso em algo lúdico ao invés de sofrido. “Brinque” de deixar alguém fazer aquela tarefa que você sempre faz, peça ajuda para o marido te cobrir em alguma situação. Crie em você um espaço onde não precise ser isso ou aquilo mas apenas existir! No início vai ser doloroso mas pode ser que chegue um dia em que você se dê conta que o traje não te serve mais!

Daniela André Martins – Psicóloga e Psicanalista de adolescentes, adultos e casais.
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